A constância
E ainda: Medalhista nos Jogos Olímpicos, museu do imigrante, momento nostalgia
Dia 7 e 17
Carol Camanho, nossa convidada no podcast, me contou - com uma naturalidade desarmante - que um dos pilares para seu podcast alcançar mais de 55 milhões de escutas foi publicar episódios novos todo dia 7 e 17. À primeira vista, parece só um detalhe banal de agenda, mas tem uma mágica escondida nessa repetição. No mundo de hoje, a gente vive correndo atrás da novidade e acaba esquecendo que o que constrói pontes de verdade é fio contínuo da constância. Sobretudo para quem vive fora.
Morar no exterior tira nosso cérebro do piloto automático. Coisas bobas como pedir uma baguete na padaria, entender o tom passivo-agressivo de um e-mail, navegar por burocracias, exigem uma energia enorme. Isso acontece no dia a dia e afeta também a nossa estabilidade mental. Quando o entorno deixa de ser intuitivo, a nossa identidade parece menos sólida.
No Brasil, a gente tem rede de apoio, o nosso jeitinho de falar, o pertencimento vem naturalmente. No exterior, essa confirmação não é imediata. Nossas credenciais são traduzidas, o reconhecimento demora a vir. A adaptação exige ajustes contínuos.
Existe uma narrativa sedutora de que mudar de país é a oportunidade perfeita para se reinventar. E, realmente é. Mas reinvenção sem algum eixo de continuidade é caos. Quando tudo muda ao mesmo tempo, a falta de repetição cria instabilidade, não liberdade.
Foi isso que a Carol, com suas publicações de podcast nos dias 7 e 17 lá no Canadá me ensinou. Ao manter sua rotina, cumprir seus prazos e ser consistente, ela criou um porto seguro para si mesma. No meio da bagunça de um novo país, a constância é o que dá um descanso para o nosso sistema nervoso. É saber que, se o mundo lá fora é diferente e imprevisível, a nossa entrega e o nosso ritmo são solo firme.
Ninguém se sente parte de um lugar da noite para o dia. O pertencimento é como uma amizade: ele nasce da presença, de estar lá de novo, e de novo, e de novo. É sendo intencionalmente constante que a gente se torna alguém em quem os outros podem confiar e acolher.
Não é irônico pensar que a repetição do familiar é o caminho para nos sentirmos livres no desconhecido?
Quem está cheirando bem?
Katherine Sizov. Filha de pais russos imigrantes nos EUA, Katherine costumava passar os verões com sua avó em Moscou onde saboreava alimentos frescos.
Mais tarde, nos EUA, ela descobriu que frutas liberam hormônios quando amadurecem e transformou esse detalhe invisível em negócio: fundou a Strella, uma empresa de IA que usa sensores para “farejar” alimentos e identificar o momento ideal de envio e venda de perecíveis. Resultado? 18 milhões de quilos de comida já deixaram de ser desperdiçados graças à esta tecnologia. Spasibo, Katherine!
Quem está no troca-troca?
A fotógrafa brasileira Mari Trancoso. Radicada em Chicago, Mari postou recentemente um anúncio no Instagram que achei interessante: trocar suas sessões de fotografia por uma lista de outros serviços. No post, ela diz: ‘Se a fotografia não está no seu orçamento, aqui estão exemplos do que aceito como pagamento: aulas de ginástica/personnal trainer; cuidar de crianças; jardinagem; sessões de massagem, cortes de cabelo… ‘ Uma ótima estratégia para quem está fazendo seu corre e querendo aprofundar seus laços com a comunidade local ao mesmo tempo.
Pura nostalgia
Passamos bem umas duas horas brincando de máquina de escrever aqui em casa na semana passada. Agora é a sua vez de voltar no tempo clicando aqui. Bônus: dá até pra enviar a carta por email para seu destinatário <3.
Para quem vai para a Holanda
Uma amiga comentou e já coloquei na lista de lugares para visitar no próximo giro pela Europa: Museu FENIX da Migração. Inaugurado em 2025, o espaço é dedicado à migração humana, localizado num antigo armazém, em Roterdam. Alguém aqui já visitou?
Dicas para enfrentar o resto do inverno
Já se vão muitos meses encaracolados numa echarpe, encasacados, enluvados, enchapeuzados no hemisfério norte. Nesta época do ano, quem mora na gringa não aguenta mais o frio. Este artigo do NYT lista algumas estratégias que podem ajudar a atravessar o resto do inverno com mais leveza. As minhas dicas favoritas: ligar para amigos que moram longe, fazer Bikram Yoga (yoga numa sala super aquecida), abraçar atividades indoor (cinema, jantar com amigos em casa), muitas sopas, velas cheirosas e um ramo de eucalipto no box do banheiro. E você, qual a sua estratégia para segurar o rojão até a chegada da primavera, me conta?
SURPRESA
Dia desses acordei com a grata surpresa de saber que nossa newsletter estava em 12o lugar no Rising in International do Substack. Fiquei tão metida feliz! Obrigada pelo seu tempo de leitura <3
Mulheres Do Business nasce de muita pesquisa, bons contatos, curadoria em 4 idiomas e da experiência de viver entre culturas com um olhar feminino e migrado. Se você sente que a gente te traz leveza, contexto e pertencimento na sua jornada pelo mundo, clique aqui para apoiar este projeto e garantir sua assinatura pelo valor simbólico de 1 café com pão de queijo no aeroporto por ano.
Eileen Gu. Impossível colocá-la numa caixinha. Aos 22 anos, a atleta sino-americana é a esportista mais bem paga e com maior número de medalhas nos Jogos Olímpicos de Inverno na modalidade de ski acrobático. Ela é também manequim AND estudante de Física Quântica em Stanford (cof, cof, deuzulivre de ser prima dela, cof, cof). Esta semana, sua resposta afiada a um jornalista durante a coletiva de imprensa viralizou e vc pode vê-la clicando aqui. Filha de pai norte-americano e mãe chinesa, Eileen me fascina porque, assim como Lucas Pinheiro, nosso atleta brasileiro e norueguês, ela foi criada em dois mundos e navega identidades múltiplas sem pedir desculpas. Mal posso esperar para ver seus próximos passos! Ps: recomendo assistir a última coletiva de imprensa dela onde fala sobre como lida com duvidar de si, journaling, manifestação e faz uma reverência à sua avó. Eileen Gu é realmente uma força da natureza!













Go tiger!